...Recebi um telefone nada convencional, aos 17 dias do mês de maio p.p., sendo que noutro ponto da linha me disseram:

“- Você está entre os “onze”!!!”

Apreensivo, relutei:

“-Será que estou sendo convocando para Seleção Canarinho???”

Passado o susto, e após perceber a quase irreconhecível voz de César Augusto Dionísio, descobri que se tratava do “inigualável”. Mas mesmo assim, em tom de decepção, pensei:

“- Poxa, entre os “onze”??? Se fosse entre os “dez”, vá lá!!!”

Mas, em compensação, quando soube do se tratava, enchi-me de alegria, pois estava fazendo parte da história do sonho de alguém muito especial: César.

Após vários anos sem contato, em meados do início do ano de 2000, aquela mesma voz robusta me contatou, convidando-me a participar de sua nova empreitada. Obs.: Eu mais César estudamos juntos em 1986/88 no atual Ensino Fundamental, antigo ginásio, pra quem não se lembra.

Bom, devidamente munido de caderno, caneta, preguiça e muita conversa fiada, lá vou eu para as primeiras aulas de inglês e espanhol com o “inigualável”, no período vespertino dos meus sábados.

“-Ai que sono!!!”

Tudo começou numa sala de, aproximadamente, 10 ou 12 m2, a qual deveria ser a dispensa da casa do “inigualável”; lembro-me que era uma sala muito fria, em virtude de ser manhã e também a estação do ano, final de outono início de inverno.

Diverti-me muito naquela época, mas procurei aprender o que podia das aulas que me eram orquestradas. As aulas de inglês mal começaram e eu pedi arrimo. Meu curso de espanhol foi mais longe, mas em virtude de algumas escolhas, continuo “hablando portuñol”, mas com sotaque de Madrid.

Bom, passados mais algum tempo e tive a notícia, por ele próprio, de que o “inigualável” estava dirigindo uma peça teatral, uma versão da badalada “Miss Saigon”. Na ocasião não me dei conta, mas o sonho “Una Vision” teve inspiração naquele romance também, ou não???

Assisti à terceira noite do espetáculo: um domingo de noite agradável no Teatro da Escola Municipal Getúlio Vargas. Adquiri dois convites, mas acabei indo sozinho. Aliás, bom gosto cultural é opcional, não é mesmo ... . Ah, ah, ah!!!!

Pára tudo, pára tudo!!!! Esqueci-me de dizer que fui eu, euzinho mesmo, o comprador do primeiro ingresso para “Miss Saigon: Uma Visão”, by César Augusto Dionísio. Digo mais, dos dois primeiros ingressos.

Felizardo eu que, quando o “inigualável” chegar ao estrelato, à altura dos grandes, como o Spiellberg, estarei lá o aplaudindo de pé (tá certo que escorado em minha bengala), mas ali firme, com meus olhos marejados.

É com grande satisfação que me reporto ao “inigualável” como “a inspiração daqueles que têm por si próprios um mínimo de confiança”.

A você, meu grande amigo, que apesar da distância imposta pela vida, tenho-te guardado a sete chaves em meu coração.

Um enorme abraço,


Carlos Eduardo Franco